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Food Service

CMV em restaurantes: como eu apuro o custo todo mês

CMV não é conta de contador, é termômetro de cozinha. Faço a apuração em duas horas por mês e ela me diz mais do que o extrato bancário.

WAEquipe WebajatoPublicado em Atualizado em 9 minNível Avançado
Ilustração do módulo Food Service da plataforma Webajato

Fechei um mês com o salão cheio quase todos os dias e a conta bancária mais magra do que no mês anterior. Sentei com o extrato às duas da manhã tentando entender onde tinha ido parar o dinheiro. Foi ali que eu ouvi falar em CMV em restaurantes pela primeira vez, e demorei mais três meses pra calcular o meu.

Confesso que eu achava que era coisa de contador. Não é. É o termômetro mais direto que existe pra saber se a sua cozinha está entregando o que você prometeu no preço. Faturamento cheio com CMV alto é serviço bonito que não paga a conta.

Vou te mostrar a conta que eu faço, em quanto tempo, onde o custo escapa sem ninguém ver e o que eu olho quando o número sobe de um mês pro outro.

A conta de CMV em restaurantes, sem mistério

Custo de mercadoria vendida é quanto de insumo saiu do estoque pra produzir o que você vendeu no período. A fórmula é estoque inicial mais compras menos estoque final. O resultado, dividido pelo faturamento, vira o percentual que você acompanha mês a mês.

O número absoluto interessa menos do que a variação. Um percentual que salta três pontos de um mês pro outro sempre tem causa: preço de insumo, porção fora do padrão, perda não registrada ou mix de venda que mudou. Nenhuma dessas causas aparece no extrato do banco.

Sem ficha técnica, você calcula o passado

Dá pra apurar CMV só com estoque e compras. Foi assim que eu comecei. O problema é que esse número te diz que algo piorou, mas não te diz qual prato piorou. Quando as fichas ficaram prontas, o mesmo número passou a apontar o culpado, e aí a conversa muda. Detalhei essa montagem em ficha técnica de pratos e controle de insumos.

No Food Service a baixa de estoque acontece pela ficha e a apuração de CMV vem junto, com relatório próprio. O trabalho manual que sobra é o inventário físico, que continua sendo obrigação de quem quer confiar no número.

O ritual de duas horas que eu repito todo mês

  1. Conto o estoque no mesmo dia do mêsSempre o último dia, sempre depois do fechamento, sempre com as mesmas duas pessoas. Trocar a data destrói a comparação entre períodos.
  2. Confiro as notas de compraToda entrada lançada, inclusive aquela compra de emergência no mercado da esquina. Foi essa que mais me atrapalhou no começo.
  3. Separo o que não é vendaRefeição da equipe, cortesia, quebra e prato refeito saem do cálculo de venda e entram como consumo interno.
  4. Calculo por grupo, não só no totalCarne, bebida, hortifruti e descartáveis separados. O total esconde o problema, o grupo entrega ele de bandeja.
  5. Comparo com os três meses anterioresUm mês isolado não diz nada. A série mostra tendência e é ela que faz você agir antes de o prejuízo virar hábito.

Onde o meu custo escapava

OrigemComo se manifestaO que eu passei a fazer
Porção fora do padrãoCMV sobe sem mudança de preçoPesagem de conferência semanal
Compra de emergênciaInsumo caro fora do fornecedorLanço a nota mesmo sendo do mercado
Quebra e vencimentoSome do estoque sem vendaRegistro de perda com motivo
Mix de venda alteradoVende mais item de margem baixaCruzo com o relatório de produtos
Bebida sem controleDiferença grande no barContagem de bar separada da cozinha

CMV alto nem sempre é culpa do preço de compra

Essa foi a lição mais cara. Passei dois meses brigando com fornecedor de carne e o problema estava na chapa: um cozinheiro montava o hambúrguer com trinta gramas a mais, por generosidade. Trinta gramas por unidade, quatrocentas unidades por semana. Faça a conta.

  • Porção generosa sem ficha padronizada.
  • Prato refeito por erro de lançamento na comanda.
  • Perda de limpeza maior do que a prevista na ficha.
  • Item promocional vendendo mais do que o previsto.
  • Estoque contado com pressa no fim do expediente.

Boa parte disso nasce do salão, não da cozinha. Comanda lançada errada vira prato refeito, e prato refeito é insumo consumido duas vezes. Por isso eu leio o CMV junto com os erros comuns no salão.

O que fazer com o número depois de calculado

Número que ninguém usa é planilha de gaveta. Eu levo o CMV pra reunião de segunda com dois recortes: o percentual do mês e os três grupos que mais variaram. A partir daí sai decisão de preço, de porção ou de fornecedor, e ela vira tarefa com nome e prazo.

O resultado dessa conta precisa bater com o que entrou de dinheiro. Por isso ele conversa direto com o fechamento de conta integrado ao financeiro e com a visão consolidada do painel de relatórios do ERP, onde eu comparo períodos sem montar planilha nenhuma.

Se você nunca calculou

Conte o estoque hoje, marque a data no calendário e repita daqui a trinta dias. O primeiro número vai ser feio e vai estar errado em algum ponto. Tudo bem. O segundo já serve pra comparar, e o terceiro começa a mandar em decisão de verdade. Depois disso, cruze com os indicadores de salão.

Perguntas frequentes

O que é CMV em um restaurante?
É quanto de insumo saiu do estoque para produzir o que você vendeu no período. Calcula com estoque inicial mais compras menos estoque final, e depois divide pelo faturamento para achar o percentual. A variação entre meses diz mais do que o número isolado.
Com que frequência devo apurar?
Mensal resolve para a maioria das casas, desde que a data seja fixa. Eu contava quando dava tempo e comparava períodos diferentes, o que me levou a conclusões erradas por meio ano. Data fixa vale mais do que precisão decimal.
Preciso de ficha técnica para calcular CMV?
Para calcular, não. Para descobrir a causa quando o número piora, sim. Sem ficha você sabe que algo saiu do lugar, mas não sabe qual prato. Com ficha, o relatório aponta e você age no item certo.
CMV alto significa fornecedor caro?
Nem sempre, e essa foi a minha lição mais cara. Porção fora do padrão, prato refeito e perda não registrada mexem tanto quanto preço de compra. Antes de brigar com fornecedor, pese o que sai da sua chapa.
Refeição da equipe entra no cálculo?
Ela sai do estoque, então precisa aparecer, mas separada da venda. Trato como consumo interno com registro próprio. Se você joga isso no meio do CMV de venda, o percentual fica inflado e a decisão sai torta.
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